Configurando a GPO para restringir o Anonymous Logon

Passo a passo para aplicar via Group Policy as políticas que restringem o acesso anônimo no Windows: GPMC, equivalentes em PowerShell/registro, o cuidado com RestrictRemoteSam e como validar no laboratório.

1. Contexto

O ANONYMOUS LOGON é a identidade que o Windows atribui a uma conexão de rede feita sem credencial, identificada pelo SID S-1-5-7. As versões modernas do Windows já restringem parte do acesso anônimo por padrão, mas configurações legadas, exceções mal revisadas e controladores de domínio migrados de versões antigas podem manter aberta a enumeração anônima de contas, grupos e compartilhamentos. Isso serve de reconhecimento para quem ainda não tem credencial nenhuma: nomes de usuário, RIDs e políticas de senha saem de graça e alimentam ataques posteriores, como password spraying. Fechar esse acesso é um item básico de hardening de Active Directory.

Este artigo trata da parte prática: como aplicar, por Group Policy, as políticas que restringem o acesso anônimo, os equivalentes em PowerShell e registro para o laboratório, o cuidado com a única delas que pode quebrar algo legítimo, e como validar que a mudança pegou.

As políticas e seus valores:

Política (Network access)ValorRegistro
Do not allow anonymous enumeration of SAM accountsHabilitadoRestrictAnonymousSAM = 1
Do not allow anonymous enumeration of SAM accounts and sharesHabilitadoRestrictAnonymous = 1
Allow anonymous SID/Name translationDesabilitado(política de segurança)
Let Everyone permissions apply to anonymous usersDesabilitadoEveryoneIncludesAnonymous = 0
Restrict anonymous access to Named Pipes and SharesHabilitadoRestrictNullSessAccess = 1
Restrict clients allowed to make remote calls to SAMAdministradoresRestrictRemoteSam (SDDL)

Cada uma dessas políticas governa um canal diferente — enumeração do SAM, tradução de SID/nome, acesso a named pipes e chamadas remotas ao SAM —, e não existe um controle único que resolva tudo de uma vez. Para os conceitos por trás disso (o que é o ANONYMOUS LOGON, como a enumeração acontece na prática e o que os logs nativos registram), há um artigo complementar.

2. Configurar via GPO (GPMC)

2.1 Criar e vincular a GPO

  1. Abra o Group Policy Management (gpmc.msc).
  2. Clique com o botão direito na OU que contém os computadores-alvo e escolha Create a GPO in this domain, and Link it here. Dê um nome descritivo, por exemplo Hardening - Anonymous Access.
  3. Para políticas que afetam controladores de domínio, vincule a GPO à OU Domain Controllers. Para servidores membros e estações, vincule à OU correspondente. Evite vincular na raiz do domínio sem necessidade.
  4. Clique com o botão direito na GPO recém-criada e escolha Edit.

2.2 Aplicar as opções de segurança

No editor, navegue até:

Computer Configuration
  > Policies
    > Windows Settings
      > Security Settings
        > Local Policies
          > Security Options

Para cada linha da tabela da seção 1, dê duplo clique na política correspondente (todas começam com Network access:), marque Define this policy setting e selecione o valor indicado. A política Allow anonymous SID/Name translation é definida aqui como Desabilitada; ela é uma opção de segurança, não uma chave de registro solta.

2.3 Controladores de domínio: Pre-Windows 2000 Compatible Access

Esta parte não é uma Opção de Segurança, e sim pertinência de grupo, então não entra na GPO acima. Em um DC, abra o Active Directory Users and Computers, vá ao contêiner Builtin e verifique o grupo Pre-Windows 2000 Compatible Access. Se Anonymous Logon (ou Everyone) constar como membro, remova, salvo se algum sistema legado comprovadamente depender disso. É esse grupo que faz a enumeração anônima voltar a funcionar em DCs mesmo com as políticas acima aplicadas.

2.4 Aplicar e propagar

A GPO é aplicada na próxima atualização de diretiva. Para forçar no alvo:

1gpupdate /force

Em domínio, aguarde a replicação entre DCs ou rode o gpupdate no computador-alvo. Nenhuma dessas políticas exige reinicialização.

3. Alternativa local (host único ou laboratório)

Para um único host, ou no lab onde não há domínio, use a Local Security Policy (secpol.msc), no mesmo caminho Local Policies > Security Options. As políticas e valores são idênticos, muda só o escopo, que passa a ser a máquina local.

4. Cuidado com o RestrictRemoteSam

Esta é a única política da lista com risco real de quebrar algo legítimo. Restringir as chamadas SAMR remotas a Administradores pode afetar aplicações que enumeram contas, como geração de catálogo de endereços no Exchange e algumas soluções de inventário.

A orientação da Microsoft é testar em modo auditoria antes de impor, observando os eventos relacionados para identificar quem seria bloqueado, e só então aplicar o modo de bloqueio. Em servidores membros e estações, o padrão a partir do Windows 10 1607 / Server 2016 já restringe a Administradores. Em DCs, normalmente não vem definido, então é lá que o ganho e o risco se concentram.

5. Validação

O teste é direto: o que antes enumerava, agora deve falhar. De um host na rede (no exemplo, o laboratório GOAD, contra o DC kingslanding em 192.168.56.10), faça a enumeração anônima:

1rpcclient -U "" -N 192.168.56.10 -c "enumdomusers"
2nxc smb 192.168.56.10 -u '' -p '' --users

Com as políticas aplicadas, a chamada passa a retornar NT_STATUS_ACCESS_DENIED em vez da lista de contas. Esse antes/depois é a evidência de que a GPO surtiu efeito.

Para confirmar que a diretiva chegou ao host, independentemente do teste de enumeração:

1gpresult /r            # mostra as GPOs aplicadas
2# ou abra rsop.msc para inspecionar as Security Options efetivas

6. Conclusão

Restringir o acesso anônimo é um passo básico no hardening de Active Directory. Ele tira de um atacante sem credencial uma via fácil de reconhecimento — nomes de conta, RIDs e política de senha — e, na maioria dos ambientes, não interfere na operação legítima. Como o controle está repartido em políticas independentes, a proteção só fica completa quando todas são revisadas em conjunto. Não há uma única chave que resolva.

A GPO é a forma de aplicar em escala, enquanto o secpol.msc e o registro atendem a hosts isolados e ao laboratório. A exceção que pede cuidado é o RestrictRemoteSam, que pode afetar aplicações legítimas e deve ser validado em auditoria antes de impor. Depois da mudança, confirme a diretiva efetiva no host e verifique que a enumeração anônima, antes bem-sucedida, passou a falhar.

7. Referências

terça-feira, 27 de outubro de 2026 terça-feira, 27 de outubro de 2026

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